Notícias 100 anos de Blueberries!

A vida é como uma tigela de cerejas, mas onde estaríamos sem o blueberry?

Ele recheia tortas típicas de verão, transforma as panquecas, ilumina os cereais, glorifica o sorvete de baunilha, e aperfeiçoa o muffin.

Então, você deve achar que esses blueberries docinhos e redondinhos estão por aí, como a luz do sol, desde sempre. Mas não.

A natureza, ao invés disso, nos deu o pequeno “huckeberry do pântano”, que é como o blueberry selvagem era conhecido.

Elizabeth White, uma jovem e visionária fazendeira de Burlington County, trabalhou com um inspirado botânico para lançarem a indústria de blueberry moderna 100 anos atrás.

Hoje, valendo $850 milhões anualmente, a indústria literalmente traça suas raízes em Pinelands (NJ).

O U.S. Highbush Blueberry Council, com base na Califórnia, está organizando este ano o centenário desta berry e vai celebrar sua convenção anual na Filadélfia em Outubro, para que os membros possam visitar Pemberton Township para verem onde tudo começou.

“Ela foi a filha mais velha de Joseph J. White, um cultivador de cranberry”, explicou Albertine Senske em uma tarde nublada recente.

Senske, 79, estava sentada em uma grande casa de madeira nos arredores da rodovia de Whites Bog, onde um retrato emoldurado de Elizabeth White olhava de cima da lareira. Lá fora, pinheiros cobertos com líquen verde-prata estremeciam no vento.

Este exato local, a antiga casa de Elizabeth White, é parte de um complexo de edifícios, campos e pântanos chamado Whitesbog Village, na Floresta Estadual Brendan T. Byrne.

Em 02 de Abril, o Whitesbog Preservation Trust irá realizar um simposium (whitesbog.org) sobre a história local do blueberry highbush e a contribuição de White para isso.

Nascida em 1871 perto de New Lisbon, morreu em 1954. Nunca casou, “ela ajudou seu pai nos negócios”, explicou Senske, arquivista de Whitesbog, “e eles estavam sempre procurando um segundo cultivo que pudesse amortece-los”, caso a colheita do cranberry não tivesse boa performance.

Porém, pouca coisa além do cranberry crescia bem no solo do sul de Jersey – razão pelo qual os agricultores apelidaram ironicamente a região de “the barrens” (o estéril).

Isso mudou em 1910 quando White um dia leu o artigo “Experimentos na cultura de bluebery”, no boletim do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

“Elizabeth disse para o seu pai, ‘Ha, ha. Vamos descobrir o que essa pessoa tem a dizer’” contou Penske, um ex-professor e analista de sistema.

O autor do artigo, o botânico USDA Frederick V. Coville, descobriu que os arbustos de blueberry precisavam de solo altamente ácido e deveriam ser de polinização-cruzada, pois eles não se autopolinizam – duas das muitas razões que eles falharam anteriormente com as culturas plantadas.

Coville reportou, entretanto, que ele conseguiu cruzar algumas variedades do blueberry selvagem lowbush com o highbush em uma fazenda em New Hampshire, e que estava planejando maiores experimentos.

“Eu gostaria de estar no meio de tudo isso”, escreveu White para ele, informando que o blueberry selvagem crescia em abundância nos 3000 acres de sua família. (Cranberries e blueberries pertencem a espécie vaccinium, e precisam de umidade e solo ácido).

Ela o convidou para fazer as pesquisas em sua fazenda e ele concordou. Os dois viriam a se tornar grandes parceiros e legendários na moderna horticultura dos EUA.

“Coville chegou em 1o de março de 1911”, disse Senske, “e explicou que precisaria de algumas “matérias-primas” – arbustos de blueberry selvagem – para que pudesse trabalhar”.

“Bem, as pessoas que conheciam onde os melhores arbustos estavam eram os silvícolas” quem vendiam os berries selvagens para os hotéis locais. “E a pessoa que conhecia os silvícolas era Elizabeth”.

Um deles era Ezekiel Sooy, que por uma taxa conduziu Coville e White para os melhores arbustos. Coville selecionou três e os enviou para seu laboratório em Washington, e White começou pesquisar mais.

No ano seguinte, ela começou a distribuir frascos de vidro com formaldeído, junto com um anel calibrador para medir o diâmetro do blueberry. Ela instruiu seus homens para colherem os melhores arbustos, colocar as amostras nos frascos e anotar de qual arbusto eles eram.

“Ela os pagava pelo tamanho, e se ela e o Dr. Coville gostassem do que viam, ela diria para o silvícola “Gostaria de comprar seu arbusto” e ele a conduzia para isso”, disse Senske.

“Em novembro, quando a seiva é empurrada para cima, ela os desenterrava, e os colocavam para hibernar”.

White plantou 100 deles.

Além dos 100, ela recomendou seis para Coville para hibridização, homenageando-os com os nomes dos locais que os descobriram. O “Dunphy” recebeu esse nome por causa de Theodore Dunphy, de 10 anos; e o “Rubel”, devido ao Ruben Leek, um carpinteiro.

Em 1915, Coville enviou para White cultivares que ele criou em sua estufa em Washington, e em 1916 White plantou a primeira safra comercial de blueberries “highbush” híbridos.

“Ela vendeu a safra inteira – 17 engradados de 32 pints(*) cada – para o Hudson River Day Liner” – um serviço de balsa, disse Senske. “Ela ganhou $114.82 no primeiro ano”.

Em uma década, os blueberries estavam se desenvolvendo em grandes safras comerciais, e hoje eles crescem em 13 estados, no Canadá e no Chile. A Califórnia lidera nacionalmente em produtividade, valendo $106 milhões em 2014. Nova Jersey é o 5o, com quase $80 milhões.

Um século depois, os métodos de pesquisas de Coville e White continuam no sul de Nova Jersey.

“Eu me descrevo como um reprodutor de blueberry”, disse Mark Ehlenfeldt, um pesquisador geneticista do USDA, “e o que estamos mais preocupados hoje é criar novas variedades de blueberries”.

Ehlenfeldt, 59, usando um chapéu de palha, estava parado em uma das estufas do Centro de Pesquisa Marucc Center for Blueberry and Cranberry Research, nos arredores de Chatsworth.

“Uma das coisas que está acontecendo na indústria é um movimento em direção para mais colheitadeiras mecânicas”, ele disse. “Por isso, você precisa de um certo tipo de blueberry: firme, e que amadurece mais ou menos ao mesmo tempo”.

Atrás dele, estavam espalhados dezenas de plásticos pretos contendo mudas de russet-green de 1 polegada de altura. “Esta é uma variedade da Carolina do Norte, uma fruta bem, bem firme”, ele disse, apontando para o conjunto etiquetados de “Reveille”.

Sua firmeza tornou-a ideal para a colheita mecânica, explicou Ehlenfeldt, mas ela foi cruzada com variedades como “Midcrop” e “Elliott” para dar um sabor melhor e diferentes tempos de crescimento.

“Vai demorar em torno de 1 mês e meio para a fruta se desenvolver. Depois, nós colhemos, extraímos a semente, e plantamos em outubro. Esse é o ponto de partida para a próxima geração”.

*(1 US liquid pint equivale a 473,176473 mL)

Fonte: www.philly.com


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