Notícias Crianças e adultos são diferentes na percepção da doçura das frutas

A maioria das crianças querem só comer doces, certo? E você prefere que seu filho coma um bala ou uma fruta no lanche da tarde?

Um time de pesquisadores da Universidade da Flórida e do Centro de Química Monell, na Pensilvânia, descobriram que crianças e adultos diferem na percepção da doçura da frutose – um dos principais açúcares encontrados no blueberry.

Os participantes comeram blueberries desenvolvidos pela Universidade da Flórida (UF) e foi medido suas preferências quanto à doçura. Os cientistas descobriram que as crianças são mais sensitivas nas pequenas variações de doçura nos blueberries. De fato, as crianças apresentam o “bliss point” maior (ponto de otimização da palatabilidade) no que se refere a doçura da frutose.

“As crianças vivem em mundos sensoriais diferentes”, disse Julie Mennella, pesquisadora da Monell e autora do estudo. “Décadas de pesquisa em todo o mundo nos mostra que elas preferem um nível maior de doçura do que os adultos. Crianças tem o “bliss point” maior, isto é, a quantidade perfeita de doçura em uma comida”.

“As crianças são consumidoras de frutas”, disse Linda Bartoshuk, professora de Ciência dos Alimentos e Nutrição Humana da UF, e coautora do novo estudo. “Os pais compram frutas para dar para suas crianças, então porque não ter a avaliação delas para guiar suas compras?”.

A UF enviou duas colheitas de blueberries para o laboratório da Monell. Para o estudo, 49 crianças e suas mães foram ao centro Monell para provarem três variedade de blueberries. Os pesquisadores queriam distinguir as preferências dos participantes entre os 3 cultivares – “Arcadia”, “Keepcrisp” e “Kestrel”.

As frutas colhidas durante a primeira colheita foram similares em teor de açúcar e tantos as crianças quanto as mães preferiram a “Keepcrisp”. Na segunda colheita, Arcadia teve o segundo maior conteúdo de açúcar. Enquanto as mães gostaram de cada cultivar igualmente, as crianças preferiram a “Arcadia”, mostrando o quanto eles são mais sensíveis as mudanças de doçura.

Os pesquisadores também queriam descobrir a ligação entre as preferências de blueberries dos participantes com o nível de açúcar natural na fruta, e encontraram o nível preferido da frutose, um dos principais açúcares no blueberry.

Os pesquisadores dizem que este estudo mostra que os pais podem ser mais prudentes no que se refere aos alimentos que eles compram para seus filhos, e os produtores podem produzir a fruta que as crianças querem comer. Além disso, os supermercados podem comercializar a fruta de acordo com a palatabilidade dos consumidores mirins.

O consumo de blueberries nos EUA cresceu 15 vezes nas últimas duas décadas, e a indústria de blueberry vem passando por um crescimento tremendo, alcançando cerca de US$ 825 milhões em 2014, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

Apesar do aumento do consumo de blueberry, a média de consumo das crianças americanas com idade entre 6 e 19 anos é bem menor do que o objetivo nacional, que é de 1.5 xícara por pessoa por dia, de acordo com o USDA. Espelhando na tendência nacional, 73% das crianças e 92% dos adultos que participaram deste estudo não atingiram o consumo ideal de ingestão de frutas.

Sabendo o quanto as crianças adoram o açúcar natural nos blueberries, isso deve ajudar os pais quando eles forem as compras.

“Os pais querem que seus filhos comam saudável”, Bartoshuk disse. “Os pais sabem o que seus filhos gostam, mas não sabem o que eles escolheriam se tivessem mais opções”.

Isso marca o primeiro de uma série de estudo colaborativos da Divisão de Alimento e Sabor do Centro de Inovação da UF, afirma Bartoshuk.

“Planejamos mais estudos envolvendo colegas de fora da UF, que estão interessados nessas mesmas questões”, ela disse. “Dessa forma, teremos o benefício de uma população com os maiores pensadores do mundo colaborando com a gente”.

O estudo foi publicado no Journal of Food Science.

Fonte: University of Florida


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