Notícias Forte crescimento de blueberries da América Latina nos EUA

Em dezembro de 2015, os Estados Unidos receberam 10.859 toneladas métricas de blueberries vindos da América Latina. Um ano depois, esse número disparou para 19.618 toneladas.

Os embarques chilenos foram os responsáveis por mais da metade desse número, e o Peru mais que triplicou seu volume, representando a maior parte restante, seguido pelo México que registrou uma sólida duplicação do volume, mas ainda contou somente 8% do mercado.

“Se você considerar que o mercado é como uma pessoa, ela vai sempre reagir abruptamente para as mudanças na rotina”, disse Miguel Bentin, quem dirige a organização peruana de blueberries Pro Arándanos.

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Gráfico fornecido por IBO e Agronometrics: Volume de blueberries da América do Sul aos EUA

“Se o mercado está acostumado com a escassez durante essas semanas, é possível que surjam situações que são difíceis de enfrentar, mas o mercado é sobre percepção. Se perceber que haverá mais volume, haverá impacto no preço sempre”.

Ele adiciona que a recepção de importadores e varejistas tem sido positiva, especialmente considerando que a temporada pode correr consistentemente de Setembro até o final de Fevereiro, e talvez até mais tarde.

“A temporada do Peru é longa e efetivamente flexível, e as grandes operações tem sido gerenciadas para ter colheitas por um longo período”, disse Bentin.

Uma dessas grandes operações é do maior grupo agroindustrial do Peru, a Camposol Trading, cujo diretor executivo, José Antônio Gómez, estima que o escritório da sua empresa nos EUA importou 7.000 toneladas entre agosto e dezembro.

“Diria que estamos bem tranquilos. Não temos uma pressão de volume. Sim, o mercado está deteriorado, sobretudo por uma concentração significativa do volume chileno, mas já tínhamos nossos volumes de colheita programados através de promoções com supermercados”, disse.

“Muitos supermercados nos pediram promoções nas duas semanas antes do Natal, começando em 8 de dezembro até em torno de 22 e 23 de dezembro”.

“Não tivemos a necessidade de ir ao mercado spot para vender a fruta desesperadamente”.

Camposol está a ponto de concluir seus planos de cultivo blueberries nos 2000 hectares de terra, o que Gómez disse que equivalerá a uma “produção considerável” de 26.000 toneladas.

Para colocar esse número em perspectiva, esse é o volume total de blueberries peruanos estimado por Bentín para a temporada até o final, o que provavelmente será reforçado por outras 5.000 a 6.000 toneladas até o final de fevereiro.

Gráfico fornecido por IBO e Agronometrics: Volumes de blueberries da América do Sul aos EUA

Gráfico fornecido por IBO e Agronometrics: Volume de blueberries da América do Sul aos EUA

O efeito humano do crescimento do blueberry

“Por um lado é um desafio agrícola colocar os hectares e manejá-los, e com o desafio agrícola vem o desafio de gerenciar as pessoas, porque quando este projeto chegar a produção completa – diria que estamos em 70% agora – estaremos gerenciando especificamente 10.000 pessoas relacionadas com o projeto de blueberries”, disse Gómez.

A favor de Camposol, e em certa medida das comunidades em que as opera, este crescimento de blueberries suaviza o golpe das perdas de emprego com saída dos negócios de aspargos. No final de 2015, quando o grupo ainda tinha sua unidade de aspargos frescos e em conserva, em torno de 13.000 pessoas estavam empregadas no segmento.

“Com a desativação do negocio dos aspargos entre o fim de 2015 e começo de 2016, estimamos a perda de 3.000 a 4.000 pessoas”.

“Entretanto, muitas dessas pessoas têm ficado para trabalhar no projeto de blueberries. Agora teremos mais ou menos uma população de 14.000-15.000 pessoas, e não temos que fazer um grande esforço de recrutamento, porque muito vem do negócio de aspargos que já tínhamos”.

Gómes espera que Camposol possa abastecer o mercado dos Estados Unidos até março ou abril, dependendo da temporada dos fornecedores domésticos dos EUA da Flórida e Geórgia.

A entidade estatal Sierra y Selva Exportadora informa que as exportações de blueberries do país aumentaram em torno de 140% em 2016, chegando a US$ 232.0 milhões, dos quais US$ 130.7 provém dos Estados Unidos, seguidos pelos Países Baixos (US$ 52.7 milhões), Reino Unido (US$ 29.6 milhões) e Canadá (US$ 4.9 milhões).

A organização destaca que 15% da oferta é proveniente de pequenos produtores, com em torno de 1 a 10 hectares.

Para o vizinho, Chile, a razão do aumento do volume é mais climática que estrutural.

“Mais que volume, é uma concentração devido a alta nas temperaturas durante o dia que levou o adiantamento das colheitas”, disse Lucia Corbetto da SB Berries, uma subsidiária da americana Sun Belle.

“Este aquecimento significou que a temporada adiantou 10 dias”, disse.

O diretor executivo do Comité Chileno de Blueberries, Andrés Armstrong, qualificou como “complicada” a situação de mais frutas chilenas em certas semanas, combinadas com volumes maiores de outros países que “chegaram para ficar”.

“O ideal é que não tenha mais picos muito marcados em algumas semanas e esperamos ter um fornecimento mais uniforme durante a temporada”, disse.

“Há muita especulação, mas é fato que vamos ter menos fruta a partir do final de janeiro em comparação com as temporadas anteriores. O clima na última parte da temporada será um fator determinante para saber como vamos terminar a temporada”, disse, incluindo que o início das temporadas mexicanas e marroquinas também terá um papel importante.

“Se levarmos em consideração os números até agora, haverá 20% menos fruta no resto da campanha em comparação com ano passado”.

Para Corbetto, ela enfatiza que o clima frio no sul do Chile poderia ajudar a “estender um pouco a curva da temporada”, mas de nenhuma maneira mitigaria os impactos do calor na campanha.

“Na última semana do ano passado e na primeira semana deste ano, as chuvas reduziram a pressão sobre o volume”, menciona.

“E podemos acrescentar que houve feriado (2 de janeiro), então houve menos dias de colheita”.

Sua empresa também iniciou a primeira temporada de produção de blueberries peruanos nesta campanha.

“Ainda temos um pequeno volume. Tem ido muito bem e é um país que tem muitas promessas”, disse Corbetto.

“Creio que Peru segue sendo mais um complemento do que um concorrente em termos de exportação através de programas que incluem Peru e Chile”.

Fonte: Portal Frutícola


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Internacional

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