Notícias Peru: a evolução do setor de blueberries no país

Durante a última FruiTrade, celebrada em Santiago no Chile, semana passada, Federico Beltrán, engenheiro agrônomo especialista em agro exportação do Peru, falou sobre o setor de blueberries peruano.

O Chile é um grande fornecedor de blueberries para o mundo, e agora Peru também se junta com volumes promissores. Beltrán afirma que, apesar de ambos serem países competidores, também são complementares no mesmo negócio na contra estação.

“Tem que entender que estamos em um negócio que está crescendo fortemente. Os principais atributos dos blueberries: saúde, sabor, moda e conveniência, estão disparando o consumo em todos os mercado”, advertiu Beltrán.

Nos anos 90, explica, a humanidade enfrentava um problema: a obesidade, e então foi feito uma escala para medir os produtos e frutas que continham antioxidantes. Assim, os blueberries começaram a chamar atenção do mundo.

“Os blueberries são mais que antioxidantes. Baseado em estudos clínicos, eles ajudam positivamente, de modo preventivo, a enfrentar doenças cardiovasculares, diabetes, câncer e outras. É um super produto”, afirmou.

“Estamos a frente de um negócio que não vai deixar de parar o consumo, estamos no negócio adequado”, destacou o especialista.

Segundo informou, historicamente os blueberries tem sido um produto tradicional nos Estados Unidos e no Canadá, e há 30 anos o Chile teve a oportunidade de fazer a contra-estação, sendo o país pioneiro neste negócio.

Assim, outros países também foram integrados na oferta de blueberries, como a Argentina, Uruguai, México, China e também a Índia. Entretanto, Beltrán disse esses dois últimos são mais consumidores que produtores de blueberries, o que é uma boa notícia para o Peru e Chile.

Com relação as zonas de consumo, os Estados Unidos seguem representando 80%, com taxa per capita de cerca de 1.5 kg; a Europa com cerca de 300 g por pessoa; o Reino Unido chega a 700 g/pessoa; e a China tem reportado 30 g per capita de consumo.

Quanto a oferta, Beltrán assegura que o Peru e México são onde estão plantados blueberries intensivamente.

Peru com 6 mil hectares de blueberries, este ano exportará 42 mil toneladas, segundo informou Beltrán.

“Todos os países que começam a plantar estão pensando em mercados específicos, o que é algo importante para considerar. O mercado natural para o Peru não são os EUA, mas a China, por isso estamos focando em variedades de bom calibre, firmes e que sejam doces”, comentou.

Federico Beltrán explicou que a motivação para exportar é a oportunidade que é gerada em setembro quando termina a temporada em British Columbia.

“Há um espaço de oportunidade que nos tem motivado nos últimos 10 anos. Entretanto, progressivamente estamos estendendo nossa janela desde julho até dezembro”, apontou.

O engenheiro destacou que a chave para o êxito no “negócio se chama produto fresco, produto de qualidade e contra estação”.

“Mais de dois terços das experiências de consumo nos mercados destinos não são boas, a grande possibilidade é produzir fruta que chegue com boas condições e que gere boas experiências de consumo. Isso vai seguir aumentando o consumo”.

“Não se trata de produzir toneladas, mas de quantos clamshells somos capazes de entregar em boas condições por semana ou por dia, esse é o desafio, pensar em clamshells e experiências de consumo”, enfatizou.

A realidade peruana

Peru começou com a Biloxi, uma variedade pública, e hoje 50% das variedades que se estabelecem são protegidas.

“Isso nos está permitindo resolver desvantagens que tivemos no início com a fisiologia natural do blueberry. Efetivamente 3 anos atrás, a fruta peruana era ácida”, disse Beltrán.

“Atualmente, estamos desenvolvendo uma manejo mais adequado, temos acesso a melhores variedades e digo que nos próximos anos teremos uma fruta de qualidade estupenda”.

O especialista antecipou que com a taxa de crescimento que o Peru está tendo, em 2021 se projeta que o país andino “tenha 120 mil toneladas de produto fresco sendo exportado, e vamos compartilhar a liderança com o Chile no hemisfério sul”.

Cabe destacar que, segundo informou Beltrán, Peru está plantando uma média de 1.250 hectares por ano.

“Antecipo que este vai ser um negócio estupendo para o Peru, de bilhões de dólares nos próximos 4 anos, e isso significa muito trabalho para o meu país”.

A história do blueberries no Peru começou de forma importante em 2011 com a assinatura do tratado UPOV (União Internacional para a Proteção das Obtenções Vegetais).

“Com isso muitos programas genéticos ingressam no Peru. 20 anos atrás não éramos atrativos para ninguém, nenhum programa genético poderia pensar em resolver material para zonas subtropicais áridas como o Peru. Hoje creio que somos um mercado interessante para desenvolver genética para zonas deste tipo”.

Sob o ponto de vista do especialista peruano, Beltrán também explicou quais os ponto que Chile e Peru necessitam para seguir sendo competitivos no negócio de blueberries.

“Tem que elevar ao máximo possível a qualidade das entregar do Chile em janeiro/fevereiro, resolvendo problemas de condição de chegada, tratar de reduzir as incertezas nos programas que se comprometem com os clientes, apurar os programas de renovação de variedades no Chile”.

“E o Peru tem que focar em qualidade, os primeiros 5 anos foram focados em crescimento rápido. Deve assumir que é um negócio competitivo e desenvolver ao máximo seu padrão de qualidade, avaliar bem suas variedades e resolver temas fisiológicos. E assumir que Chile tem condições ideais para o blueberry”, explicou.

Por fim, Beltrán afirmou que as janelas “vão desaparecer de toda maneira em todos os lados, tem que assumir que vem um cenário que não bata ter bolinhas azuis, é um negócio muito focado em qualidade, que requer obsessão para conseguir indicadores de competitividade”, concluiu.

Fonte: Portal Frutícola


Categoria:

Internacional

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