Notícias O boom dos blueberries: o crescimento no mundo inteiro cria desafios para os produtores do noroeste dos EUA

Em uma tarde quente de Julho, em Willamette Valley, Doug Krahmer estava entre fileiras de blueberries orgânicos, observando a colheitadeira mecânica rolar lentamente pelo campo, sacudindo os arbustos cheios de frutas maduras.

Medindo um pouco mais de 4.5 m de altura, 3.3 m de largura e pesando 7 toneladas, a colheitadeira parecia flutuar entre as fileiras, enquanto as hastes de vidro, ou “fingers”, balançavam as berries na correia transportadora que levava até o convés superior para os containers de plásticos. De lá, as caixas foram levadas para os caminhões refrigerados e transportados até a fazenda ao norte de Albany, para um galpão de embalagem a leste de Portland.

Krahmer, presidente da Berries Northwest, colocou uma berry na boca, refletindo sobre o que disse ter sido uma temporada de crescimento bastante decente. “Em termos climáticos, tem sido ok. Está ficando quente agora, mas já superamos o ponto crítico”.

Vinte anos atrás, os blueberries eram a safra nicho em Oregon e em toda a Costa Oeste. A maioria da produção dos EUA veio de estados como Michigan e Nova Jersey. Agora o Noroeste é a região dominante de crescimento de blueberry do mundo, obtendo novas oportunidades e desafios para os produtores.

Kramer começou a cultivar os 35 acres (14.16 hectares) de blueberries com seu sogro em 1980. Naquela época a produção total nacional ficava entre 56.7 e 63.5 mil toneladas. Este ano, só em Oregon é esperado que se quebre a marca das 72.5 mil toneladas, e o estado de Washington está projetando uma safra de 74.8 mil toneladas. Nos últimos anos, esses dois estados seguem na liderança como os maiores produtores de blueberries no país, em termos de volume. Os blueberries são a oitava commodity agrícola mais importante, chegando a mais de U$ 180 milhões em 2018.

Hoje, a Berries Northwest cultiva 420 acres (170 hectares) de blueberries convencionais e orgânicos, incluindo a fruta fresca que é vendida para a Driscoll’s, uma grande marca na Califórnia. Com a colheita de meia temporada bem encaminhada, Krahmer disse que está a todo vapor trazendo a safra para o mercado.

Como a indústria continua a expandir, especialistas dizem que os blueberries estão ganhando popularidade. Entretanto, fatores como alto custo de mão de obra e maior competição externa estão simultaneamente pressionando os preços e forçando as empresas a inovar para se manterem competitivas.

“Passeio de foguete”

Bryan Ostlund, diretor executivo do Oregon Blueberry Commission, disse que o aumento dos blueberries do noroeste tem sido um “passeio de foguete”.

Em 2009, fazendeiros de Oregon cultivaram 21.4 mil toneladas de blueberries, dividido entre os mercados de fresco e processado.. Desde então, a produção mais do que triplicou, alcançando um recorde de 70 mil toneladas em 2019.

A razão, afirma Ostlund, começa com o marketing. Como os consumidores ficaram mais cientes dos benefícios dos blueberries para a saúde nos anos 1990, a demanda acelerou. Os blueberries são ricos em antioxidantes, potássio e vitamina C, ganhando assim o cobiçado apelido de “superalimento”, ou o que os produtores chamam de “halo da saúde”.

Com solo e clima ideais, o Noroeste é uma região nobre para os blueberries, Ostlund afirma. “Podemos superar qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo”, disse.

Esse impulso não parece que vai diminuir tão cedo.

Kasey Cronquist, presidente do U.S. Highbush Blueberry Council – um grupo fundado por membros que apoia a promoção e pesquisas dos blueberry – disse que a penetração nas casas das famílias ainda está com somente cerca de 38%, comparado com os 70% ou mais dos morangos. “Ainda há muito espaço para nossa indústria alcançar em termos de taxa de penetração nas casas”, disse Cronquist, referindo-se a porcentagem de famílias dos EUA que compram blueberries.

Julho é o Mês Nacional do Blueberry, e Cronquist disse que o USHBC está focando numa demanda maior, explorando a fruta como saudável, deliciosa e fácil de comer. “De fato, nosso tema está em torno da simples ação de: comprar, comer e amar os blueberries!”, afirma Cronquist.

Preço

A grande dificuldade que enfrenta os produtores em uma palavra é o preço, afirma Krahmer. “Você pode colocar isso em letras grandes”.

Não somente os produtores dos EUA e do Noroeste que estão aumentando a produção, mas também seus maiores competidores no mercado, como México, Chile e Peru, que estão inundando os mercados com frutas e eliminando os anos mais lucrativos que sustentaram as fazendas de blueberries por décadas.

“Muito de nós vivemos naqueles anos de “altos” por muito tempo”, disse Kramer. “Não há mais esses “altos” mais”.

Enquanto antes o preço das berries congeladas podia flutuar de 40 centavos até $1.25 por libra, Krahmer disse que hoje a faixa está entre 45 e 65 centavos. O preço para o mercado de fresco, por sua vez, muda constantemente ao longo da temporada. As frutas que vão para o mercado de fresco tem o custo adicional da colheita manual.

Krahmer disse que os fazendeiros comerciais precisam de uma margem de lucro por volta de 55-60 centavos por libra para fazer com que os blueberries valham o investimento. Ele disse que está ficando difícil conseguir essa margem, especialmente para as fazendas pequenas. “No momento, os pequenos produtores estão enfrentando uma fase difícil. Não que nós, grande produtores, não tenhamos nossas dificuldades, mas temos algumas eficiências de tamanho que nos ajudam a resistir a tempestade nesse momento”.

Especialmente o Peru que tem se tornado uma força a ser enfrentada. O país explodiu em cena, aumentando a produção em 796% chegando a quase 100.000 toneladas entre 2015 e 2018, e está posicionado para superar o Chile como o maior exportador de blueberries frescos.

Novas variedades

Os produtores enfatizam a necessidade de plantas genéticas avançadas e tecnologia para fazer o negocio crescer em meio ao cenário de mudança dos blueberries.

Mark Hurst, da Hurst Berry Farm and HBF International, disse que a indústria está trabalhando para melhorar suas variedades de temporada tardia para melhor competir com o Peru. Algumas opções já estão disponíveis, como a Elliott, Liberty e Aurora, embora Hurst afirma que o gosto poderia ser melhorado.

Hurst, que ajudou a fundar o USHBC em 2000 e foi o primeiro presidente entre 2001 e 2007, disse que os produtores dependem completamente das variedades de blueberries para ajudá-los obter o melhor preço durante toda a temporada, que começa em Junho no Sul do Oregon e pode ir até o começo de Outubro.

“De alguma forma estamos tendo sucesso com as variedades precoces e semi-precoces, mas as tardias… provavelmente é nossa maior dificuldade no momento”, afirma Hurst.

A Universidade do Estado de Oregon está liderando algumas dessas pesquisas, com projetos fundados por grupos de industrias. O Centro de Extensão e Pesquisa Willamette North da Universidade abriga o único plantio de pesquisa de blueberry orgânico certificado do mundo.

A Bernadine Strik, professora no Departamento de Horticultura da Universidade e especialista em cultivo de berries, passou mais de 30 anos ajustando os sistemas de produção. Seu trabalho levou a um maior espaçamento entre as fileiras de arbustos, além de treliças para segurá-los – junto com práticas que aumentaram a produção orgânica do estado de cerca de 2% para mais de 30% do volume total.

Strik disse que o desenvolvimento de novas variedades de temporadas tardias tem sido a grande mudança para a indústria. “Nosso objetivo, ao invés de ter uma grande pico de meia-estação, é ter mais fornecimento constante. Se você tem um grande pico de produção, você também tende a ver uma baixa nos preços devido ao volume”.

Ela também elogiou os produtores do Noroeste como gerentes proativos, focados em melhorar o rendimento e a qualidade de seus produtos para satisfazer os consumidores.

Ao mesmo tempo, os custos laborais continuam a aumentar. Até 2022, o salário mínimo em Oregon será de U$14.74 por hora na área metropolitana de Portland, e U$12.50 em cidade não urbanas. Isso significa que os produtores estão buscando a mecanização, incluindo colheitadores como as da Berries Northwest e classificadores ópticos na área de embalagem para economizar com mão-de-obra

Jeff Malensky, presidente da Oregon Berry Packing em Hillsboro, disse que a mão-de-obra para o mercado de berries frescos é particularmente crítica, já que não são todas as variedades que podem ser colhidas com máquinas sem machucar a fruta. A qualidade das berries é importante, visto que os varejistas agora tem mais escolhas de onda comprar. “A tecnologia vai nos ajudar no futuro, mas não vai acontecer rápido o suficiente”, afirma. “Nós produtores tivemos que nos tornar melhor naquilo que fazemos”.

Fonte: Agronometrics


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Estados Unidos | Produção

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