Notícias Um resumo das últimas pesquisas sobre os benefícios dos blueberries na nossa saúde

Fruta saudável

Uma xícara de blueberries contém apenas 80 calorias e contribui com nutrientes essenciais como fibra, vitamina C, vitamina K e fitonutrientes chamados polifenóis. O grupo de polifenóis incluem as antocianinas (163 mg/100g), que são componentes que dão a cor azul aos blueberries.

Abaixo, apresentamos um resumo de alguns estudos recentes que estão em andamento para melhor entender o papel dos blueberries na promoção da boa saúde. Esses estudos se baseiam em quatro campos: saúde cardiovascular, gerenciamento da diabetes, saúde do cérebro e microbioma intestinal. Para maiores informações, visite a seção Health Professionals em blueberrycouncil.org.

Saúde Cardiovascular

A doença cardiovascular é a maior preocupação na saúde pública dos Estados Unidos e atualmente a maior causa de morte em homens e mulheres (“Heart Disease Facts”, 2019). As condições que, em combinação, aumentam significativamente o risco de desenvolver doença cardiovascular incluem, aumento da pressão sanguínea, aumento do açúcar no sangue, obesidade e altos níveis de lipídios no sangue – e o nome dado a esse grupo é síndrome metabólica (“Metabolic Syndrome”)

Foi realizado um estudo em 2010 com 48 participantes obesos com síndrome metabólica – aqueles que consumiram uma bebida com blueberry por um período de 8 semanas tiveram uma ligeira diminuição ( -6% e -4%) na pressão sanguínea sistólica e diastólica comparado com aqueles que consumiram a bebida placebo (-1.5% e -1.2%). Durante o estudo, os participantes mantiveram suas dietas usuais e padrão de atividade física, mas foram solicitados para evitar o consumo de alimentos ricos em flavonoides, como outras berries, chá verde, cacau e soja (Basu, 2010). Os resultados justificam uma investigação mais aprofundada e fornece alguma evidencia para se incluir blueberries como parte de uma dieta saudável.

Em 2015, um estudo duplo-cego, em humanos, com controle placebo na Florida State Univesity investigaram os efeitos do consumo de blueberries em 40 mulheres na pós-menopausa com pré e estágio 1 de hipertensão (Johnson, 2015). Conduzido por um período de 8 semanas, as participantes foram aconselhadas a manterem suas dietas usuais, bem como os níveis de atividade física durante o estudo. Os resultados mostraram que as 20 participantes que consumiram a fruta (blueberry em pó) tiveram uma redução de 5.1% e 6.3% na pressão sanguínea sistólica e diastólica, respectivamente, enquanto que não houve diminuição significativa no grupo controle. Do início até as oito semanas, houve uma significante redução (P<0.01) na velocidade da onda de pulso tornozelo-branquial, enquanto que não houve mudanças no grupo controle. Acredita-se que a reduzida biodisponibilidade de óxido nítrico é um dos fatores centrais para doença cardiovascular, apesar de não estar claro se é a causa, ou o resultado da disfunção endotelial (Naseem, 2015). Apesar de que mais pesquisas sejam necessárias, o estudo inicial fornece insights no papel que o blueberry pode ter na área da pressão sanguínea e saúde cardiovascular.

Em um outro estudo em humanos, 44 adultos com síndrome metabólica que consumiram smoothie de blueberry, duas vezes por dias por 6 semanas, tiveram uma melhora significativa na função vascular endotelial versus aqueles que consumiram um placebo (Stull, 2015). Acredita-se que a função endotelial vascular tem um papel fundamental no desenvolvimento, progressão e complicações clínicas da aterosclerose (Landmesser, 2005). Não houve uma alteração significante na pressão sanguínea, entretanto, muito dos participantes estavam com medicação anti-hipertensivo, o que pode ter mascarado os efeitos dos blueberries. Também não houve diferença na sensibilidade à insulina entre os grupos blueberry e placebo. Embora mais testes sejam necessários, esse estudo sugere que os blueberries tem um efeito favorável na saúde vascular no período de seis semanas em adultos com síndrome metabólica. Testes clínicos com um grupo maior de amostras e maior duração é aconselhado para explicar o potencial papel que os blueberries tem na melhora da função endotelial e pressão sanguínea em população com alto risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

Um outro estudo realizado na University of East Anglia no Reino Unido, investigou se os blueberries melhoram os biomarcadores da função cardiometabólica em participantes com síndrome metabólica em um estudo controlado, randomizado, duplo-cego, por seis meses. Cento e quinze (115) participantes entre 50 e 75 anos com síndrome metabólica foram aleatoriamente atribuídos a receberem um dos três tratamentos: 26g de blueberries liofilizados (o equivalente a 1 xícara/dia de blueberries frescos); 13g de blueberries liofilizados (o equivalente a ½ xícara/dia de blueberries frescos); ou um pó placebo com a mesma cor, sabor e consistência. O estudo descobriu que a ingestão diária do equivalente a uma xícara de blueberries (consumido na forma de 26g de blueberries liofilizados) resultaram numa melhora clínica significativa na saúde do coração, particularmente nos marcadores da função vascular. A melhora da função endotelial e redução da rigidez arterial estão associados com a redução do risco de eventos cardiovasculares, como ataque do coração e derrame. O consumo de uma xícara por dia de blueberries também resultou em aumento significativo dos níveis de HDL-C comparado com o placebo. Os biomarcadores lipídicos pesquisados no estudo apoiam essas descobertas, com um significante aumento na partícula HDL e nos níveis de APO-A1, que são outros preditores de risco de doença do coração (Curtis, 2019). A resistência a insulina, velocidade da onda de pulso, pressão sanguínea e outros níveis lipídicos (incluindo o colesterol total) não foram afetados por nenhuma dessas intervenções. Também não houve benefícios clínicos observados da ingestão de ½ xícara de blueberries nesse grupo. Apesar das conclusões tiradas são de um único estudo que não pode ser generalizado para toda a população, as informações adicionam peso às evidencias de que uma intervenção dietética com uma porção realista de blueberries pode ser uma estratégia efetiva para diminuir fatores de riscos importantes na doença do coração.

Gerenciamento da diabetes

De acordo com o Instituto Nacional de Diabetes e Doenças Digestivas e Renais, a resistência a insulina é uma condição na qual as células não respondem completamente a ação da insulina, um hormônio que regula a glicose do sangue (“Insulin Resistance & Prediabetes”, 2018). Como resultado, a captação celular de glicose é prejudicada e os níveis de glicose no sangue se tornam altamente anormais. A resistência a insulina é comumente visto em indivíduos obesos e pode levar a diabetes tipo 2, a forma mais comum de diabetes nos Estados Unidos, e continua a crescer a uma taxa rápida (“Diabetes Report”, 2017).

Em um estudo clínico em humanos, 32 participantes diagnosticados com síndrome metabólica consumiram smoothies de gosto similares, com ou sem blueberries, duas vezes por dia por seis semanas. Os pesquisadores descobriram que aqueles que consumira o smoothie com blueberries foram mais capazes de diminuir o açúcar no sangue na resposta a insulina do àqueles que consumiram a bebida sem o blueberry (Stull, 2010). Apesar de não ser conclusivo, o estudo sugere fortemente que mais pesquisas são necessárias para avaliar os blueberries e seu potencial papel na melhora da sensibilidade à insulina numa população com resistência à insulina.

Em uma outra pesquisa realizada no Centro Médico Stratton Veterans Affairs, em Albany, Nova York, foi investigada o efeito do consumo de blueberry nos parâmetros de saúde cardiometabólicos em homens com diabetes tipo 2, em um estudo duplo-cego, randomizado com grupo controle. No período de 8 semanas, os pesquisadores estudaram 52 participantes com sobrepeso, com idade entre 51 e 75 anos, que tiveram diagnóstico de diabetes tipo 2 por pelo menos 6 meses, conforme indicado pela hemoglobina A1c (HbA1c) > 6.5 e <9 e BMI > 25 kg/m2. Junto com suas dietas regulares, foram atribuídos aleatoriamente aos participantes, uma das duas intervenções diárias: 22g de blueberries liofilizados (o equivalente a uma xícara por dia de blueberries frescos); ou 22 g de um pó placebo (com o mesmo conteúdo de energia e carboidrato que os blueberries liofilizados). Nota: as fibras não foram controladas nesse estudo, mas já é sabido que influenciam a resposta insulínica. O estudo descobriu que o consumo do equivalente a uma xícara de blueberries frescos (ingerido como 22g de blueberries liofilizados) resultaram numa melhora clínica significativa nos indicadores mensuráveis de diabetes tipo 2 – HbA1c e frutosamina – comparado com o placebo. Os resultados também mostraram níveis mais baixo significativos de triglicérides após o consumo de blueberry comparado com o placebo (Stote, 2020). A glicose plasmática em jejum, a insulina sérica, o colesterol total, o colesterol LDL e HDL, concentração da proteína C-reativa, pressão no sangue e peso corporal não foram significativamente diferentes após as 8 semanas de consumo de blueberries liofilizados, comparado com o placebo.

Estudos epidemiológicos que observaram dietas em grupos grande de pessoas por um longo período de tempo, como no Nurses’ Health Study e o Health Professionals Follow-Up Study, mostraram que um alto consumo de fruta – particularmente frutas com alto teor de antocinaninas, como os blueberries – está associado com um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2 (Wedick, 2012; Muraki, 2013). É possível que essas descobertas reflitam em outros componentes dietéticos que coexistem em alimentos ricos em antocianinas. Pesquisas randomizadas são necessárias para estabelecer os efeitos que podem ser especificamente atribuídos as antocianinas.

Saúde do cérebro

Cientistas do Centro de Pesquisa Jean Mayer USDA Human Nutrition na Universidade de Tufts vem estudando os efeitos benéficos dos blueberries na função do cérebro em animais por mais de uma década, e agora estão estudando seus efeitos em humanos. Em uma pesquisa recente em humanos saudáveis, 13 homens e 24 mulheres, com idades entre 60 e 75 anos, foram selecionados randomicamente para receber uma dieta diária suplementada com blueberries ou um placebo por 90 dias. Os resultados obtidos indicaram que o grupo suplementado com blueberries mostraram erros significativamente menores em testes usados para avaliação verbal, memória e troca de tarefas, comparado com o grupo placebo. Não houve melhoras na mobilidade em nenhum dos grupos (Miller, 2017). Embora mais evidencias são necessárias, os resultados desse estudo se somam ao crescente corpo de pesquisas sobre dietas suplementadas com blueberry e resultados positivos no declínio cognitivos relacionado à idade.

O Dr. Robert Krikorian e seu time na Universidade de Cincinnati investigaram os efeitos de uma dieta suplementada com blueberry em 37 adultos mais velhos com comprometimento cognitivo leve. Eles avaliaram a função cognitiva usando medidas de velocidade de processamento, memória operacional, acesso léxico e memória verbal e não-verbal de longo período. Os participantes foram selecionados randomicamente para consumir blueberry liofilizado em pó ou um placebo (diariamente em suas refeições matinais e noturnas). Após 16 semanas, o grupo dos blueberries demostraram uma melhora no acesso semântico (p=0.01) e na memoria espacial-visual (p=0.05). O Dr. Krikorian também avaliou mudanças na ativação cerebral regional usando imagem de ressonância magnética funcional (fMRI) em um subconjunto de participantes (n=16) enquanto eles estavam passando por um teste de memória operacional. Embora não tenha havido uma indicação clara de aumento da memória de trabalho, o grupo que consumiu blueberries apresentou um aumento da ativação BOLD (do inglês, nível de oxigênio do sangue) em certas partes do cérebro (Boespflug, 2017).

Microbioma Intestinal

Pesquisas que relacionam o papel dos blueberries no microbioma intestinal ainda está em estágios iniciais. Entretanto, um estudo recente mostrou que a suplementação com blueberry em dietas high-fats em ratos machos resultou em mudanças na microbiota intestinal associada com melhoras nos sinais de inflamação e insulina. Mais pesquisas são necessárias, e esses resultados não podem ser extrapolados diretamente em humanos devido as diferenças na microbiota intestinal e fisiologia (Lee, 2018).

Fonte: U.S. Highbush Blueberry Council

Referencias:
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  2. Metabolic Syndrome. (n.d.). Retrieved from https://www.nhlbi.nih.gov/health-topics/metabolic-syndrome
  3. Basu, A., Du, M., Leyva, M. J., Sanchez, K., Betts, N. M., Wu, M., … Lyons, T. J. (2010). Blueberries Decrease Cardiovascular Risk Factors in Obese Men and Women with Metabolic Syndrome. The Journal of Nutrition, 140(9), 1582-1587. doi: 10.3945/jn.110.124701
  4. Johnson, S. A., Figueroa, A., Navaei, N., Wong, A., Kalfon, R., Ormsbee, L. T., … Arjmandi, B. H. (2015). Daily Blueberry Consumption Improves Blood Pressure and Arterial Stiffness in Postmenopausal Women with Pre- and Stage 1-Hypertension: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Clinical Trial. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, 115(3), 369-377. doi: 10.1016/j.jand.2014.11.001
  5. Naseem, K. M. (2015). The Role of Nitric Oxide in Cardiovascular Diseases. Molecular Aspects of Medicine, 26, 33-65. doi: 10.1016/j.mam.2004.09.003
  6. Stull, A., Cash, K., Champagne, C., Gupta, A., Boston, R., Beyl, R., … Cefalu, W. (2015). Blueberries Improve Endothelial Function, but Not Blood Pressure, in Adults with Metabolic Syndrome: A Randomized, Double-Blind, Placebo-Controlled Clinical Trial. Nutrients, 7(6), 4107-4123. doi: 10.3390/nu7064107
  7. Landmesser, U. (2005). The Clinical Significance of Endothelial Dysfunction. Curr Opin Cardiol, 20(6):547-51. doi:10.1097/01.hco.0000179821.11071.79
  8. Curtis, P. J., Van Der Velpen, V., Berends, L., Jennings, A., Feelisch, M., Umpleby, A. M., … Cassidy, A. (2019). Blueberries improve biomarkers of cardiometabolic function in participants with metabolic syndrome—results from a 6-month, double-blind, randomized controlled trial. The American Journal of Clinical Nutrition, 109(6), 1535-1545. doi: 10.1093/ajcn/nqy380
  9. Insulin Resistance & Prediabetes (2018). Retrieved from https://www.niddk.nih.gov/health-information/diabetes/ overview/what-is-diabetes/prediabetes-insulin-resistance
  10. Diabetes Report (2017). Retrieved from https://www.cdc.gov/media/releases/2017/p0718-diabetes-report.html
  11. Stote, K. S., Wilson, M. M., Hallenbeck, D., Thomas, K., Rourke, J. M., Sweeney, M. I., … Gosmanov, A. R. (2020). Effect of Blueberry Consumption on Cardiometabolic Health Parameters in Men with Type 2 Diabetes: An 8-Week, Double-Blind, Randomized, Placebo-Controlled Trial. Current Developments in Nutrition, 4(4). doi: 10.1093/cdn/nzaa030
  12. Stull, A. J., Cash, K. C., Johnson, W. D., Champagne, C. M., & Cefalu, W. T. (2010). Bioactives in Blueberries Improve Insulin Sensitivity in Obese, Insulin-Resistant Men and Women. The Journal of Nutrition, 140(10), 1764-1768. doi: 10.3945/jn.110.125336
  13. Wedick, N., Pan, A., Cassidy, A., Rimm, E., Sampson, L., Rosner, B., … Dam, R. (2012). Dietary flavonoid intakes and risk of type 2 diabetes in US men and women. SciVee. doi: 10.4016/39918.01
  14. Muraki, I., Imamura, F., Manson, J. E., Hu, F. B., Willett, W. C., Dam, R. M. V., & Sun, Q. (2013). Fruit consumption and risk of type 2 diabetes: results from three prospective longitudinal cohort studies. Bmj, 347(aug28 1). doi: 10.1136/ bmj.f5001
  15. Miller, M. G., Hamilton, D. A., Joseph, J. A., & Shukitt-Hale, B. (2017). Dietary blueberry improves cognition among older adults in a randomized, double-blind, placebo-controlled trial. European Journal of Nutrition, 57(3), 1169- 1180. doi: 10.1007/s00394-017-1400-8
  16. Boespflug, E. L., Eliassen, J. C., Dudley, J. A., Shidler, M. D., Kalt, W., Summer, S. S., … Krikorian, R. (2017). Enhanced neural activation with blueberry supplementation in mild cognitive impairment. Nutritional Neuroscience, 21(4), 297-305. doi: 10.1080/1028415x.2017.1287833
  17. Krikorian, R., Kalt, W., Mcdonald, J. E., Shidler, M. D., Summer, S. S., & Stein, A. L. (2020). Cognitive performance in relation to urinary anthocyanins and their flavonoid-based products following blueberry supplementation in older adults at risk for dementia. Journal of Functional Foods, 64, 103667. doi: 10.1016/j.jff.2019.103667
  18. Lee, S., Keirsey, K. I., Kirkland, R., Grunewald, Z. I., Fischer, J. G., & Serre, C. B. D. L. (2018). Blueberry Supplementation Influences the Gut Microbiota, Inflammation, and Insulin Resistance in High-Fat-Diet–Fed Rats. The Journal of Nutrition, 148(2), 209-219. doi: 10.1093/jn/nxx027

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